

Em nossas apresentações relativas a impressão digital sempre enfatizamos que a definição do negócio e um plano mercadológico adequado devem preceder a definição tecnológica. Isso, em geral, se choca com o senso comum prevalecente em muitas gráficas de que a máquina impressora é o centro das definições que levam a um novo negócio.
Tradicionalmente, é verdade, é assim que se faz. O plano mercadológico e mesmo sua estrutura de custos é quase que automaticamente estabelecido pela gráfica quando ela decide comprar um determinado equipamento. No caso da impressão digital, pela especificidade dos equipamentos e, mais ainda, pelo fato de que a impressora é só uma parte do fluxo de produção onde o front end e o workflow tem importâncias e valores muito próprios, a definição do que se vai fazer e para quem é vital antes da definição de todo o conjunto tecnológico.
Faço esse preâmbulo para citar um case recente que tivemos na consultoria para o desenvolvimento de um plano de negócios para uma empresa editorial de pequeno porte na área de revistas e publicações científicas. Para preservação da empresa e por ainda estarem no desenvolvimento estratégico do plano, vou, por enquanto chamá-los de empresa D.
Quando começamos a conversar a necessidade que eles nos apresentavam era a da definição de um equipamento digital para que eles passassem a imprimir os periódicos de seus clientes pois o trabalho de edição estava muito concorrido e já não traziam os retornos que obtinham antes. Decidiram, então começar a imprimir para oferecer um serviço adicional a seus clientes.
Nosso questionamento começou pela verificação de quais eram de fato os benéficos que eles estavam entregando aos seus clientes e que benefícios adicionais eles queriam começar a entregar. A questão colocada se refere ao conceito de que os produtos e serviços que entregamos aos nossos clientes na verdade se traduzem em algum tipo de benefício a que eles estão dispostos a pagar. Mais ou menos, dependendo de quanto valor eles percebem nessa troca.
Pois bem, a simples constatação de que simplesmente agregar impressão não traria benefícios percebidos claramente pelo cliente fez com que eles realizassem uma pequena pesquisa identificando nos cliente suas reais necessidades em termos de edição e gerenciamento de seus conteúdos digitais ou impressos. Com um levantamento adicional sobre a oferta da concorrência pudemos ter na mão os atributos necessários para que desenvolvêssemos do que chamamos de curva de valor da empresa D para seus clientes, ou, para simplificar, um conjunto de atributos que permitiam criar uma oferta diferenciada da concorrência e benefícios que os clientes ansiavam por ter. Para exemplificar melhor, esse tipo de publicação ao qual a empresa D se dedica, é feito por pesquisadores ou acadêmicos que só tem tempo e visão para o seu trabalho científico e não o processo de adaptação, preparação editorial e disponibilização, por meio digital e impresso ao seu público leitor e à comunidade científica.
De posse desses dados a empresa D desenvolveu uma aplicação via internet de captação e editoração dos conteúdos e, aí sim, pôde definir e oferecer a parte de impressão com um fluxo de trabalho e uma impressora com os acabamentos adequados a essa oferta e ao tipo de trabalho desejado por seus clientes. Além disso adicionou a logística de distribuição e ofereceu um serviço;o completo de ponta a ponta. Nessa oferta não se discute o valor unitário da impressão, pois ela é parte de um pacote de oferta mais amplo. O que se oferece é eliminar o máximo possível de trabalho dos clientes deixando-os quase que exclusivamente com o que realmente os preocupa, ou seja, o desenvolvimento do seu trabalho ou artigo acadêmico.
Nesse caso se a definição do equipamento viesse em primeiro lugar a empresa D não teria desenvolvido uma oferta mais completa aos seus clientes e, sem dúvida, passaria a oferecer os impressos dentro do modelo tradicional de cotação, preço, desconto e baixo retorno.
Prometo em pouco tempo revelar a empresa, mas acho que o que vale é a demonstração do conceito para aqueles que vão começar ou ampliar seus negócios com impressão digital. A definição do modelo de negócios e o plano mercadológico vem antes da definição tecnológica dos equipamentos e fluxos digitais.
Revista Publish - edição 105
No encontro PODi do dia 18 de novembro trouxemos um assunto que vem preocupando a muitas gráficas digitais: a implementação pelos bancos do chamado DDA – débito direto autorizado.
Após a boa apresentação feita por profissionais do Bradesco pudemos ter um debate esclarecedor que durou mais de hora.
Não vou entrar no mérito da implantação do DDA, mas sim, ressalvar as questões que se colocam nesse caso e que são também pertinentes a todos os outros casos que visam a substituição de materiais impressos, daí a preocupação de trazê-lo à tona, ou seja:
1- Não há produto gráfico hoje com exceção de embalagens que já não tenha um substituto eletrônico, com maior ou menor – se não compulsória – aceitação dos usuários.
2- Em geral a justificativa da substituição recai na questão da sustentabilidade com o apelo emocional de salvamento de árvores que seriam destinadas a fabricação de papel..
3- Que o custo da substituição compensa.
Numa rápida análise podemos contestar cada uma dessas afirmações, começando pela terceira. Na realidade nem sempre o custo final é menor ou nem sempre a eventual redução é repassada ao consumidor.
No caso do papel o argumento usado na maioria dos casos é uma falácia, primeiro porque o maior custo não está no papel e segundo porque não se explica que a produção de papel é feita através de reflorestamentos renováveis.
Não quero aqui fincar bandeiras perdidas, ou seja, brandir contra as novas tecnologias para defesa das tecnologias atuais, incluindo o papel. Ao contrario. Mas também não se pode dar vazão a sensos comuns nem sempre baseados na realidade dos fatos.
Por isso mesmo deixei para comentar por fim a primeira questão, a da substituição de impressos por meios digitais, até porque é uma frase que uso há muito anos em minhas palestras. O reconhecimento desse fato é obvio, mas tampouco significa que a substituição elimina a utilização do material impresso. Em muitos casos há até o aumento de consumo em outras aplicações. Mas, na realidade, o que quero chamar a atenção aqui é para um outro ângulo de visão.
A renovação tecnológica é inexorável e criativamente destruidora, com diria Schumpeter. Mais do que lamentá-la, temos que aprender a conviver com ela e aproveitar as oportunidades que traz em seu bojo.
O que quero dizer com isso é que mais do que lamentar a eventual substituição de boletos ou livros ou materiais promocionais por meios digitais, as empresas gráficas devem procurar as interações proporcionadas pelos meios digitais com os materiais impressos. Não só porque a comunicação impressa em todos os níveis seguirá sendo importante por muito anos, mas também porque as aplicações que se utilizam dos dois meios – digital e impresso – produzem as melhores respostas e os melhores resultados de comunicação e de retorno mercadológico.
Nesse aspecto a impressão digital ainda que possa perder produtos importantes e comoditizados, ela tem em seu bojo recursos que permitem o desenvolvimento de novas aplicações interativas com maior valor agregado.
Afastar a acomodação e aprender a desenvolvê-las é o caminho para o sucesso continuado nas empresas vencedoras.
Revista Publish - edição 104
Realizou-se em Chicago, EUA, de 11 a 16 de setembro, mais uma feira Print, este ano denominada myPrint. Essa feira está entre as três maiores do mundo ocidental junto com a Drupa e a Ipex na Inglaterra.
Ainda em plena crise econômica nos Estados Unidos, a feira, evidentemente também foi um reflexo desse momento. A freqüência de público foi menor do que em outros anos, ainda que muitos expositores tenham notado uma melhora na qualidade. Segundo eles seus clientes vieram mais determinados e com propósitos definidos quanto a necessidades, o que contribuiu para que muitos atingissem suas metas de venda.
Na área de impressão digital, foco deste artigo, houveram algumas novidades interessantes, mas o que mais se viu foram mais alguns passos em relação ao lançado na Drupa o ano passado. Não há espaço aqui para descrever cada equipamento por isso vou colocar alguns e proximamente voltamos ao tema.
Como novos equipamentos o meu destaque é para uma nova máquina da Olympus, denominada OP1-CS, extremamente compacta, com alimentação em bobina e saída com sheeter, impressão ink-jet, qualidade que chamamos de business em contraposição a qualidade offset, com resolução de 300dpi. Velocidade com A4 de 127pés por minuto ou 362 páginas por minuto em CMYK. Interessante como tendência, estará no mercado norte- americano e europeu no próximo ano.
Também com tecnologia Olympus a Riso disponibilizou sua linha ConColor, máquinas de baixo custo, impressão em folhas ink-jet, com ciclos de até 500.000 impressões/mês e baixo custo por folha. Ainda não disponíveis para a America Latina mostra ser uma boa possibilidade para um bom numero de aplicações em cor que não requeiram elevada exigência de reprodução.
Dos fabricantes tradicionais a HP apresentou, além dos equipamentos já consagrados na Drupa como a 7000, a W7200 em operação e já disponível comercialmente com aplicações para livros, catálogos e transpromos, entre outros. Não levou para a feira a sua ink-jet agora denominada T300, mas anunciou parceria com a Pitney Bowes para a venda da máquina na Europa e Estados Unidos com o nome de Pitney Bowes® IntelliJet™ Printing System que disponibiliza o software de gerenciamento de impressão, sistema de alta velocidade para acabamento e serviços de suporte à operação.
A Xerox mostrou importantes melhorias nas sua máquinas 7000 e 8000 com inclusão de espectrofotômetro e um novo toner opaco, assim como melhorias em sua Nuvera, PB. Disponibilizou a IGen220, ou seja, a junção de duas IGen4 para impressão frente e verso e saída de 110 ppm. A impressão de embalagens também foi enfatizada com uma produção em linha a partir de uma IGen4, uma solução interessante.
A Agfa mostrou mais aplicações para a sua Dotrix Modular, interessante equipamento com impressão ink ket, qualidade offset, para rótulos e embalagens.
A Canon mostrou sua nova linha em PB e novas máquinas coloridas de media produção, alem de um acordo operacional com a HP para sistemas voltados a área de escritórios, alem de nova parceria com a Adobe para geração de documentos também nessa área.
A OCÉ apresentou a sua JetStream 1000 para impressões em alta velocidade em ink-jet, business quality, com MICR, para diversas aplicações, especialmente transpromo. A InfoPrint mostrou sua 900, alta produção em folhas, parceria com a Ricoh.
Enfim, vimos evoluções e não revoluções na área. A aposta no ink jet parece firme, não só em rotativas, mas em máquinas em folha como as da Fuji e Screem que ainda não estão disponíveis. Mais do que a tecnologia, no entanto, o que se busca é aumento de velocidade e redução de custo de impressão alem do aprimoramento e automação dos wokflows e integração dos acabamentos.
Com essas condições a impressão digital seguirá crescendo fortemente nos próximos anos ganhando espaço das impressões tradicionais e proporcionando mais interatividade em um mundo cada vez mais digital.
Revista Publish - edição 103
Mundialmente a produção de embalagens representa, hoje em dia, quase a metade de toda a produção gráfica. No Brasil, segundo as estatísticas setoriais da Abigraf, o segmento responde por cerca de 47% do faturamento.
Frequentemente em nossas apresentações colocamos que não há produto gráfico hoje que já não tenha um substituto eletrônico, com maior ou menor aceitação dos usuários. A exceção fica com as embalagens ou com a maioria dos produtos que convencionamos colocar na rubrica de conversão, como rótulos, etiquetas, etc. É um dos motivos porque esse segmento continuará sendo o mais representativo mundialmente no setor.
Por outro lado, a produção desses materiais em impressoras digitais vem encontrando cada vez mais aplicações e utilidades. Claro que não são embalagens digitais como colocamos no título, mas produzidas em equipamentos digitais que vem ganhando expressão especialmente com o desenvolvimento dos sistemas ink-jet.
A qualidade alcançada na reprodução de etiquetas, rótulos e caixas impressas em diferentes suportes como cartão semi-rígido, plásticos e metais vêm possibilitando o desenvolvimento de aplicações bastante interessantes e criando novas oportunidades de negócio.
Uma visita aos supermercados nos dá hoje uma idéia da quantidade e variedade cada vez maior de produtos que temos a nossa disposição. Quem poderia imaginar há 10 anos atrás encontrar gôndolas mais de 40 diferentes pães de forma, só para ficar nesse exemplo. É o processo da crescente oferta para atendimento de grupos cada vez mais específicos de consumidores caminhando a passos largos para o atendimento de seus desejos individuais. Aliás, em seu último livro, o consagrado professor na área estratégia de Harvard, C.K. Prahalad, mostra como se caminha para a geração de valor compartilhada entre a empresa e o consumidor individual.
Pois é aí mesmo que as embalagens produzidas digitalmente estão se encaixando e tendem a ocupar um nicho que será cada vez mais crescente em importância. Produtos com ofertas individualizadas, para grupos específicos, ou com enorme gama de variações sobre um mesmo tema como pinturas de cabelo, sementes de plantas, rótulos de vinhos, sabonetes e perfumes e por aí vai. Além disso, a possibilidade de adição dos novos códigos QR nas impressões - cuja foto no celular leva a páginas de informações adicionais on-line dos produtos – amplia as possibilidades de interação com o consumidor criando com ele uma nova experiência.
Os equipamentos hoje disponíveis como HP Índigo, Dotrix da Agfa, Xeikon, EFI Jetrion, HP, Kodak, Impika, Seiko Epson são algumas das que já oferecem condições de reproduções que acopladas a acabamentos in-line e off-line possibilitam inúmeros produtos que atendem a essas novas demandas.Vários desses aprimoramentos poderão ser vistos na próxima Print em Chicago. Vale a pena conferir.
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